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| Sob o extenso parque de lápides, uma galeria subterrânea contém fotos e um abrangente banco de dados informatizado sobre as vítimas do holocausto, ocorrido durante o período da II Guerra Mundial. |
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| Com 2.711 lápides, a parte superior do Memorial não tem muros nem portões e pode ser percorrida a qualquer hora. |
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| A impressionante visão aérea do mar de lápides que compõe o memorial. (Foto: blog Holocausto/Shoah) |
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| Diferentemente da abstração purista do parque de lápides logo acima, a galeria no subsolo mostra o lado familiar e individual daqueles que sofreram o terror do holocausto. Diversos relatos, cartas e anotações deixados pelas vítimas dos campos de concentração encontram-se expostos em detalhes, como o seguinte bilhete, recuperado de um dos campos: 31 de julho de 1942 - Querido pai! Estou dizendo adeus a você antes de morrer. Nós adoraríamos tanto viver, mas eles não permitirão e nós iremos morrer. Estou tão amedrontado com a morte, porque as crianças pequenas são jogadas vivas nas covas. Adeus para sempre. Beijo-o ternamente. |
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| Mais de 300 campos de concentração espalhados pela Europa na época da II Guerra Mundial são mostrados no mapa exposto no Memorial. |
A seguir, o excelente texto extraído do site português Holocausto/Shoah:
Após 17 anos de críticas, debates, escândalos e concessões em 2005 foi inaugurado o Memorial do Holocausto de Berlim. O resultado é um lugar construído, quase um não-lugar, uma lembrança dedicada aos judeus assassinados e não um registro das barbaridades em si.
Em 90 mil metros quadrados, 2711 colunas. A cor, o cinza escuro. A referência automática, um cemitério, mesmo que esta associação seja recusada por Peter Eisenman. "A simplicidade é talvez o que provoca", assinala o arquitecto.
Personificação do horror
No subterrâneo, ao qual se acede através de uma escada que se encontra quase "de repente", está instalado o Centro de Informações. Nenhuma placa, nenhuma indicação. Na entrada, seis rostos, com os nomes e origem, personificam de forma directa a morte dos seis milhões de judeus. As cores: preto, branco e cinza. São quatro espaços quadrados.
"É um grito silencioso no espaço climatizado. As imagens são relativamente pequenas, há poucos registros das montanhas de cadáveres, quase nada do horror das câmaras de gás, dos tiros, dos espancamentos, enforcamentos, torturas até a morte. À abstracção do Memorial corresponde uma certa decência da documentação", observa o diário Der Tagesspiegel.
Um banco de dados dispõe cerca de 700 biografias, uma amostra do total de seis milhões de vítimas da Shoah. A partir do momento em que estes indivíduos, com seus nomes e dados biográficos – idade, profissão, estado civil e condições em que morreram – são extraídos do todo, o visitante vê-se confrontado com histórias individuais, pessoais.
Dimensões da memória
Para o visitante que circula entre as colunas e depois desce "aos porões", a existência do Memorial provoca, como descreve o diário Der Tagesspiegel, "uma pequena viagem: do nós até o eu. Visto de fora, o Memorial é dominado pela massa pura, por suas dimensões, pela amplitude do campo de colunas em cinza escuro. Neste momento, a percepção tende a ser colectiva, abstracta, geral – não importa se gostando ou não da arquitectura de Eisenman. Dentro, o indivíduo entra em contacto com as lembranças individuais".
O filósofo italiano Giorgio Agamben, em texto publicado sobre o Memorial no semanário Die Zeit, vê o mérito da obra de Eisenman exactamente "no limiar entre as duas dimensões topográficas: uma sobre o solo, exposta, mas na qual nada se lê. E outra subterrânea, onde se tem acesso à leitura".
Estetização da História
Bildunterschrift: Outra preocupação dos críticos avessos à existência do Memorial é o medo de que os cenários originais dos horrores do Holocausto fiquem esquecidos, quase "às moscas", como denunciam alguns. E isso sem esquecer que muitos deles ficam às portas de Berlim, como Sachsenhausen. "Não seria apenas lamentável, mas escandaloso, se os outros pequenos memoriais que existem nos cenários originais, a longo prazo, viessem a pagar o preço pela construção do Memorial em Berlim", observou Paul Spiegel, presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha.
Outras questões vêm inevitavelmente à tona: Será o Memorial uma forma de representar publicamente a culpa, como forma de selar o passado de "normal"? Trata-se de expor a História, para dela se livrar? "As lembranças dos sobreviventes do nazismo desaparecem. A lembrança imediata do vivido é mediatizada. A História transforma-se em imagem. Com o Memorial do Holocausto os cenários originais e os campos de concentração perdem em interesse. O espaço urbano encenado passa a ocupar, para muitos, o lugar dos cenários originais. A História é estetizada", conclui o diário taz.
Memorial do Holocausto - Situado nas proximidades da Porta de Brandemburgo, Potsdamer Platz e do Reichstag.
(Texto em negrito extraído do site português Holocausto/Shoah).
Berlim, Dezembro de 2010
Links relacionados:
Alemanha: campo de concentração nazista de Dachau
MEMORIAL DO HOLOCAUSTO - Miami









Um comentário:
Impressionante meu amigo. Com certeza, serve de lição para o mundo todo.
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