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Kuala Lumpur, Malasia: entre o Islã e o Superdesenvolvimento

Kuala Lumpur, janeiro de 2006




KUALA LUMPUR, CAPITAL DA MALÁSIA

Decidi vir a Kuala Lumpur em razão da proximidade da cidade na qual estava, Phuket, na Tailândia.

Mas a razão turística dessa visita repousa na curiosidade que sentia em conhecer as imensas Petronas Towers, outrora os edifícios mais altos do mundo, com 452 metros de altura, bem no centro da cidade.
Visitei as torres ontem e hoje, admirando e fotografando sua arquitetura espetacular.
O guia de viagens da Lonely Planet traz a seguinte consideração a respeito dos mega-edifícios: "Ao custo de 1.9 bilhoes de dólares, as Petronas Towers seriam o lugar preferido para algum extra-terrestre que resolvesse morar no planeta Terra, tamanho é o carater futurista desse conjunto de torres".
Realmente, o projeto arquitetônico é impresionante e futurista. À noite, as torres iluminadas parecem extraídas da cidade imaginária de Gotham City, cenário das aventuras de Batman, ou de algum edifício monumental da serie Star Wars.

Hoje, fui até a ponte que liga as duas torres, no quadragésimo-segundo andar, altura máxima permitida aos visitantes (aqui, diferentemente das torres gêmeas do World Trade Center, não se pode visitar o último andar, mesmo a visita ao quadragésimo andar tem duração limitada), para uma breve visita de dez minutos agendados previamente.

A visão da cidade, em volta, não impressiona tanto quanto Bangkok, mas as torres, sozinhas, já valem a visita para quem está próximo.

Na saída, fiquei sabendo que as Petronas foram superadas em altura por outro prédio, construído recentemente na cidade chinesa de Taipei, chamado de Taipei 101, com alguns metros a mais que as torres de Kuala Lumpur. Soube tambem que a China detem 7 dos 10 edificios mais altos do mundo. É o grande dragao avançando novamente.

Durante minha visita à ponte no 40º andar, um operário limpava as vidraças pelo lado de fora.

Kuala Lumpur impressiona pela diversidade: é um pais muçulmano, onde se pode ver, em todo lugar, desde os guichês de aeroporto até as ruas, as mulheres trajando os detestáveis véus, ícones da tradição islâmica.

O arquitetura futurista das Petronas Towers contrasta com o véu medieval

Embora eu adote o principio da tolerância aos costumes locais, nao consigo deixar de sentir aversão por esse costume imposto às mulheres, de trajar véus e ocultar qualquer fio de cabelo. Esse hábito só resulta na descaracterização completa das figuras femininas, reduzidas a caricaturas ambulantes, forçadas a trajar-se segundo padrões medievais.

A cultura muçulmana já se faz sentir quando se embarca no vôo da Malaysia Airlines: logo na entrada, estão livretos de orações para os muçulmanos. Pedi licença e peguei um deles, no qual pude ler uma oração ingênua, na qual se implora a graça de Alah por uma boa decolagem e aterrissagem. Melhor assim, rezando pela paz no vôo, do que arremessando aviões contra alvos civis inocentes.

A Malásia impressiona pelo desenvolvimento tecnológico. Já é lider mundial na fabricação de semicondutores e fabrica toda sorte de produtos eletrônicos e de bens industriais.

Somando-se isso a uma reserva imensa de petróleo (compartilhada com o pequeno país de Brunei Darussalam, na mesma ilha de Bornéu) tem-se um pais que espera atingir o patamar de "País Desenvolvido" no ano de 2020. Nesse cenário, os chineses dominam a economia do país e os malaios muçulmanos dominam o cenario político.

As ruas da capital ganharam nomes em homenagem aos sultões que governaram o pais, desde séculos atrás. As cédulas também têm efígies que parecem saidas de países do oriente medio.

Vários prédios seguem padrões islâmicos de arquitetura, inclusive o corte transversal das Petronas Towers.

Esteticamente, acho que o sudeste asiático não combina com os rígidos padrões islâmicos, tão restritivos da beleza natural desta região. Mas o Islã espalhou-se há séculos por esta região e hoje domina tambem a Indonésia e diversos outros países deste canto do mundo.

Ingressar no pais pelo aeroporto de Kuala Lumpur já significa receber boas-vindas islâmicas: não são permitidos canivetes sequer na bagagem despachada, nem material que possa ser considerado pornográfico. Traficantes de drogas invariavelmente são condenados à morte.

O desenvolvimento econômico da Malásia ameniza as restricoes religiosas, mas apaga um pouco da beleza local.

O balanço de tudo isso é um país que, apesar das excentricidades, merece ser visitado, por sua riqueza, seus prédios e pelas peculiaridades dosadas de seu povo.

No conjunto, foi uma boa decisao ter vindo à Malásia.

Kuala Lumpur, 22 de janeiro de 2006

Julio Cesar

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Malasia

Malasia

Kuala Lumpur e' grande, movimentada, com autopistas e transito que lembram paises avancados.

A cidade e' dominada pelas Petronas Twin Towers, dois espigões de 452 metros de altura, secundadas por alguns predios e um enorme parque urbano.

Seu brilho 'a noite faz das torres um improvavel desenho animado, de contornos vivissimos, bastante irreais. Chega-se a pensar que instalaram neon nos andares mais altos, e um visitante desatento imaginaria que chegou a Gotthan City.

Nao sao as mais altas do mundo (isto cabe 'a torre Taipei 101, com mais de 500 metros) mas sao o predio mais impressionante que ja visitei.

Os malaios sao muitos, como previsto, e nao se consegue negar a presenca dos chineses. Estou em Chinatown, numa rua que compreende todas as marcas e muitas comidas orientais. Tudo na rua, tudo perfeito para um passeio.

O tempo, aqui, e' de uma quentura sem preguica.

Gerson Noronha Mota

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