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MEMORIAL DO HOLOCAUSTO - Miami

MEMORIAL DO HOLOCAUSTO - Miami  (http://www.holocaustmmb.org/)


Construído em memória dos seis milhões de judeus vítimas do holocausto cometido pelos nazistas no período de II Guerra Mundial, o memorial em Miami é considerado, por alguns, como o monumento mais impressionante dentre os diversos construídos no mundo (a exemplo do parque de lápides em Berlim) com a intenção de evitar o esquecimento da maior barbárie sistematicamente cometida em tempo de guerra.

O memorial do holocausto impressiona, por congelar em esculturas de bronze imagens de uma fração daquilo que ocorreu na Europa, algumas décadas atrás.

Idealizado por um grupo de sobreviventes e inaugurado em 1990, o monumento conduz os visitantes por uma passagem que se estreita ligeiramente, levando a uma área circundada por um muro com intermináveis nomes de algumas das vítimas. Ao lado, esculturas em bronze simbolizando dezenas de vítimas: homens, mulheres, velhos, crianças, bebês, alguns deles fundidos em uma só massa de agonia e desespero.


O centro do monumento é uma impressionante escultura em forma de braço erguido ao céu, com cerca de 12 metros de altura. Marcado com um número, o braço se desfaz em sua base em uma série de figuras humanas que personificam parte do horror ocorrido nos campos de extermínio nazistas.



Rudolf Hoess (comandante do campo de concentração de Auschwitz, em entrevista ao Psiquiatra Leon Goldensohn, na prisão de Nuremberg, onde se realizariam os primeiros julgamentos dos crimes de guerra cometidos pelos nazistas): Mandei converter em câmaras de gás duas velhas casas de fazenda meio afastadas do campo. Mandei remover as paredes entre os aposentos e cimentar as paredes externas para deixá-las à prova de vazamento. O primeiro transporte vindo do governo-geral foi trazido para lá. As pessoas foram mortas com gás Zyklon B.

Leon Goldensohn: Quantas pessoas por vez eram exterminadas em cada casa de fazenda?

Hoess fitou o chão e pensou alguns instantes. Desviou os olhos de mim para o chão, depois para o senhor Triest, e finalmente, após uns trinta segundos de silêncio, disse: “Em cada casa de fazenda, de 1800 a 2 mil pessoas podiam ser envenenadas por gás de cada vez”



Leon Goldensohn: Com que frequência essas construções eram usadas?

Rudolf Hoess: Bem, era assim: esses transportes não chegavam todo dia; às vezes dois ou três trens chegavam no mesmo dia, em cada trem cabiam 2 mil pessoas, mas havia períodos em que não chegava nenhum transporte por três a seis semanas.



Leon Goldensohn: Do transporte de 2 mil, aproximadamente, quantos eram “salvos” para o trabalho?

Rudolf Hoess: Em todos aqueles anos, calculo que uma média de 20 a 30% das pessoas estavam em condições de trabalhar. Os incapazes de trabalhar eram conduzidos às casas de fazenda. Elas ficavam a um bom quilômetro do desvio. Ali tinham que se despir. De início, tinham que fazê-lo ao ar livre, onde havíamos construído muros de palha e galhos de árvores para que não fossem vistos. Depois de algum tempo, construímos alojamentos. Tínhamos grandes placas que diziam PARA DESINFECÇÃO ou BANHEIROS. Isso era para dar às pessoas a impressão de que apenas tomariam um banho ou seriam desinfectadas, para evitar dificuldades técnicas nos processos de extermínio.

E os prisioneiros que usávamos como intérpretes e auxiliares gerais naquelas estações instruíam as pessoas a colocar suas roupas no chão em pilhas organizadas para que as encontrassem ao saírem do banheiro ou da sala de desinfecção. Esses prisioneiros ajudavam a acalmar todas as pessoas, respondendo às suas perguntas de forma tranquilizadora e dizendo que apenas tomariam um banho naquelas casas.

Depois as pessoas eram trazidas às câmaras de extermínio e, vendo-se acompanhadas daqueles prisioneiros, ficavam calmas. A coisa era feita de modo que todas as câmaras eram enchidas ao mesmo tempo. No último momento, quando já estavam lotadas, os prisioneiros que trabalhavam para nós escapuliam, as portas eram trancadas e o gás Zyklon B era injetado através de aberturas pequenas.

Quando o processo estava em andamento, dois ou três transportes chegavam diariamente, cada um com cerca de 2 mil pessoas. Esses eram os períodos mais difíceis, porque tínhamos que exterminá-las de uma vez, e as instalações de cremação, mesmo com os novos crematórios, não acompanhavam o ritmo do extermínio.


Leon Goldensohn: Havia algum pânico entre as pessoas antes de seu assassinato?

Rudolf Hoess: Sim, às vezes, mas agíamos friamente, e cada vez mais com o passar do tempo.


Leon Goldensohn: Ouvi dizer que se extraía ouro dos dentes dos exterminados.

Rudolf Hoess: Sim, depois que os corpos eram retirados das câmaras de gás, desde o início de 1942, recebemos ordens do quartel-general superior de remover todo o ouro dos dentes e mandá-lo ao Departamento de Finanças. Dali era enviado ao presidente do Reichsbank, acredito.


Leon Goldensohn: Da época em que você deixou Auschwitz até o fim da guerra, quantas pessoas foram exterminadas?

Rudolf Hoess: A cifra de 2,5 milhões leva em consideração 1944.


 Leon Goldensohn: Você não se incomodava de matar crianças da mesma idade de seus filhos?

Rudolf Hoess: Não era fácil para mim ou outros militares da SS, mas estávamos convencidos das ordens que recebíamos e de sua necessidade.


Leon Goldensohn: Qual você acha que deve ser seu castigo?

Rudolf Hoess: Ser enforcado. Há outros mais culpados que eu, particularmente aqueles que me deram as ordens, que eram erradas. Mas como vi no julgamento em Belsen, onde homens da SS trabalharam sob as mesmas ordens que eu, terei de encarar o mesmo castigo.
(Trechos extraídos da obra de Leon Goldensohn – As entrevistas de Nuremberg. Conversas de um psiquiatra com os réus e as testemunha. São Paulo, Companhia das Letras, 2005).

Preso pelos britânicos em 1946 e entregue à Polônia, Rudolf Hoess foi condenado por um tribunal polonês e enforcado em Auschwitz em abril de 1947. Tal punição, apesar de imperiosa, em nada ameniza ou redime o genocídio praticado sob as ordens diretas de Hoess em Auschwitz, e repetida em outras dezenas de campos de concentração, como Treblinka, Sobibor, Dachau, Chelmno, Maidanek, Belzec, etc.


Em outra tentativa de opor-se ao esquecimento dos fatos, o cartunista e escritor americano Art Spiegelman escreveu MAUS (palavra alemã para “rato”), obra em quadrinhos que conta a história de seu pai, judeu polonês que sobreviveu a Auschwitz e emigrou para os EUA.

MAUS recebeu diversos prêmios, dentre eles o Pulitzer e a bolsa Guggenheim.

The Times: Spiegelman retrata os nazistas como gatos, os judeus como ratos, os poloneses como porcos e os americanos como cães. Todos são terrivelmente humanos.

Time Out: Um relato intensamente pessoal da sobrevivência de uma família, de fugas quase impossíveis e encarceramentos, que lida de forma artística com experiência e emoções que muitos fariam de tudo para esquecer.











THE HOLOCAUST MEMORIAL
1933-1945 Meridian Avenue, Miami Beach, FL 33139
Phone: 305 538 1663 - Fax: 305 538 2423
Hours: 9:00AM - 9:00PM Daily

FREE ADMISSION

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Links Relacionados:

     Alemanha - Campo de Concentração Nazista de Dachau

     Berlim: Memorial aos Judeus Assassinados na Europa (Parque de Lápides de Berlim)

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