Notas de Programa
SZYMANOWSKI
Abertura
de Concerto, Op.12
De 14 a 16 de
setembro a Osesp receberá um dos principais compositores vivos, o polonês
Krzysztof Penderecki, que regerá, além de peças de sua autoria, o Concerto nº 1 para
Violino (1) (1933) de seu compatriota Karol Szymanowski. O concerto de
hoje — que terá a regência da também polonesa Marzena Diakun — inicia-se com
a Abertura de Concerto, Op.12, de Szymanowski. Composta ainda na
primeira década do século XX, a Abertura se organiza a partir de referências
estilísticas do final do século XIX, especialmente Wagner e Strauss. Destaca-se
aqui o domínio técnico da escrita e a engenhosidade e clareza com que
Szymanowski sobrepõe acontecimentos sonoros, mesmo em meio a uma densa massa
orquestral.
MOZART
Concerto
nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453
O Concerto nº 17 de Mozart, de
1784, começa com uma exposição da orquestra, com seu colorido de cordas em
primeiro plano, deixando frestas para comentários precisos da flauta e dos
oboés, sempre sustentados pelo par de fagotes. Ao fundo ouvem-se as trompas com
suas longas notas sustentadas. A trama musical é ampliada com a entrada do
piano solista, dois minutos depois, repetindo inicialmente o primeiro material
temático exposto pela orquestra, mas, como é comum em Mozart, sugerindo suas
próprias melodias na sequência.
Para uma escuta
mais acurada dos concertos de Mozart, em vez de pensarmos em pares de opostos
como primeiro e segundo temas, orquestra e solista etc., talvez seja mais
apropriado procurarmos outros tipos de interação musical: triangulações, jogos,
variações e surpresas. O movimento intermediário tem um tratamento que o
aproxima da música vocal de Mozart; aqui, tanto o artesanato da trama
polifônica das madeiras quanto alguns fragmentos da própria melodia principal
ecoam o “Et Incarnatus Est” da Grande Missa em Dó Menor, composta pouco
antes do Concerto nº 17. O último movimento é organizado a partir de
variações de um tema principal, em dois andamentos contrastantes, um
“Allegretto” seguido de um acelerado “Presto” em forma de “Finale”.
TCHAIKOVSKY
A
Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1 e 2 /TCHAIKOVSKY EM FOCO
VILLA-LOBOS
Alvorada
na Floresta Tropical
Em seu ensaio “Tchaikovsky, Sinfonista
Patético”, na Revista Osesp 2017, Richard Taruskin
comenta a desaprovação que gradualmente ocorreu, durante o século XX, no status
da obra do compositor. Taruskin explica que tal declínio jamais se deu com o
público, e que “deve ser interpretado em parte no contexto da mudança do
‘poético’ para o ‘estrutural’ [...] como o critério mais importante para a
avaliação artística [...]”. (2) Com a apresentação de seis importantes peças do
compositor russo ao longo da Temporada 2017 da Osesp, teremos oportunidade de
experimentar o que poderia ser uma escrita (ou uma escuta) mais “poética” ou
mais “estrutural”.
À época da estreia
do balé A Bela Adormecida, em 1890, Tchaikovsky era um dos
compositores mais prestigiados (pela crítica e pelo público), dentro e fora da
Rússia czarista. Baseado no conto de Charles Perrault, o balé de quase três
horas de duração (em sua versão original) é contextualizado no século XVII, e
conta a história da princesa Aurora, filha do rei Florestan XIV, que por obra
de Carabosse, a fada má, adormece aos 16 anos de idade após ferir-se no dedo.
Durante os cem anos em que, junto da princesa, toda a corte enfeitiçada cai em
sono profundo, uma floresta envolve o castelo. E é nesse momento, em meio a
esse mundo de feitiços e encantos que, como num passe de mágica — só no
concerto de hoje —, a princesa Aurora em sonho transporta-se para o Brasil de
Villa-Lobos, e sua Alvorada na Floresta Tropical.
“A alvorada, em
qualquer floresta do Brasil, é para mim uma ouverture de cores
acompanhadas pelo canto mágico e pelo chilrear dos pássaros tropicais, mas
também pelos uivos, gritos, evocações e pelas exóticas e bárbaras danças dos
índios nativos”, escreveu Villa-Lobos em uma carta de 17/01/1954 à época em que
a peça foi encomendada, pela quantia de mil dólares, pela orquestra de
Louisville (EUA). Nesse Villa da última fase é possível ouvir algo dos poemas
sinfônicos dos primeiros anos, de sua verve pré-Choros e Bachianas.
Despertando
subitamente desse desvio poético, depois da interpolação de Villa-Lobos,
retornamos a Tchaikovsky e à segunda parte dos excertos selecionados de seu
balé, rumo a um final feliz. Ouvir A Bela Adormecida em 2017, à
luz dos diálogos com Szymanowski, Mozart e Villa-Lobos, nos permite
possivelmente uma outra leitura, distanciada não apenas desta peça, mas também
de boa parte da obra do compositor russo. Uma leitura que não tenha mais que
optar necessariamente entre o poético (do século XIX) e o estrutural (do século
XX), mas que possa talvez encontrar, neste século XXI, estruturas sob os
devaneios, ou poesia na arquitetura.
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| Trajados de forma adequada ao evento, como aquecimento às futuras andanças pela visita que planejávamos ao Balé Bolshoi, em Moscou. |
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| Além de anfitrião, o fotógrafo da noite também foi o Fred, registrando desde o início da noite solene. |
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| Ao nosso repertório de música clássica polonesa, que até então se restringia a Frédéric Chopin, acrescentamos o Concerto nº 1 para Violino (1) (1933) de Karol Szymanowski, apresentado naquela noite. |
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| A caminho de Varsóvia, pela TAP, fizemos escala no aeroporto de Lisboa, onde incluímos no lanche os famosos Pastéis de Belém. |
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| Posando de fotógrafo em Varsóvia. |
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| A coleção em 3 volumes de Zizo Asnis serviu de inspiração para a viagem. |
| Caminhando na Praça do Castelo, em Varsóvia. |
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| Grande fonte de inspiração, o livro de Francis Tapon - Europa Escondida - revela a imensidão pouco explorada nos países do Leste Europeu. |












