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Kutna Hora - Cidade do Ossario de Sedlec

Kutna Hora - Cidade do Ossario de Sedlec




O caminho entre Praga e Kutna Hora tem apenas 70 km de distancia.

Mas percorre-lo de carro nesta epoca do inverno e' um prazer para olhos oriundos dos tropicos: sao campos infinitos recobertos de um interminavel tapete de neve branquissima, com casas de telhados semi-cobertos da mesma neve, e estradas cheias de carros mais novos e modernos que os brasileiros (aqui nao faltam Mercedes, Audi, e proliferam belos Skoda, de fabricacao local).

Contratamos um tour ate' Kutna Ora, e nossa primeira parada, ja' na cidade, foi o Ossario de Sedlec.

Descrever o ossario com palavras e' uma tarefa ardua: trata-se de uma igreja conjugada a um cemiterio. No lado de fora, ainda se utiliza o cemiterio para os falecidos de hoje em dia.

Mas o que impressiona e' o lado de dentro da igreja.

A nave encontra-se decorada com crucifixos, brasoes, lustres, guirlandas, casticais imensos e outros adornos, TODOS FEITOS DE OSSOS HUMANOS.

Os ossos pertencem a 40 mil pessoas cujos despojos foram enterrados no cemiterio de Sedlec desde o Seculo 14 (somente em 1318, cerca de 30.000 pessoas foram enterradas no local).

Em 1870, František Rint, um escultor da regiao foi encarregado de reorganizar os ossos do antigo cemiterio, e teve a criativa ideia de fazer as belas (sao belas e minuciosas, sem duvida) esculturas e composicoes de ossos humanos que hoje sao vistas.

Clique aqui e visite o site do Ossario de Kutna Ora

Nao senti nenhuma impressao desagradavel ao visitar o local pessoalmente. Visto no documentario que eu havia assistido, o local parece tetrico, mas nao e' essa a impressao que temos quando adentramos o local.

Estando la, sobressai a obra de arte, ao inves do terror da morte.

Contudo, nao deixamos de refletir sobre a finitude da vida, contra a qual, a unica solucao e' adotar um "carpe diem etico", segundo o qual ja venho regendo minha vida desde decadas.

A imagem que lembrarei hoje, ao dormir, nao sera' de esqueletos tenebrosos. Sera' de campos de neve infinitos, catedrais de arquitetura impressionante, e de relicarios de ossos humanos, daqueles que um dia aqui estiveram e se consideraram imortais e inatingiveis.

Júlio César - Praga, República Tcheca, 23 de dezembro de 2005

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