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O Presidio de Tuol Sleng e os Campos de Genocidio

O Presidio de Tuol Sleng e os Campos de Genocidio


O PRESIDIO DE TUOL SLENG E OS CAMPOS DE GENOCIDIO DE CHOEUNG EK

Visitar o Camboja e' visitar o passado.

O passado cambojano palpita grandioso nas ruinas de Angkor, com os imensos palacios construidos ha' mil anos pela civilizacao Khmer, que durante essa epoca, dominou toda a Indochina.

Mas o passado tambem grita com forca nas lembrancas da barbarie ocorrida entre 1975 e 1978, quando o pais foi regido pelo grupo maoista conhecido como "Khmer Vermelho" (Khmer Rouge), liderado por Pol Pot.

Cerca de dois milhoes de cambojanos (quase metade da populacao do pais) morreram no curso do periodo de 75 a 78, como resultado direto da ditedura do Khmer Vermelho. De forma semelhante ao que aconteceu na revolucao cultural chinesa, os individuos capacitados eram reputados "parasitas".

Ainda pior do que na revolucao comunista chinesa, no Camboja esses individuos eram mortos sumariamente em razao de fatos simples, como saber falar uma lingua estrangeira, ou mesmo usar oculos.

Outros tantos milhares morreram de doencas, falta de assistencia, ou de fome. Nosso motorista de taxi nos contou, sem aparente tristeza, que perdeu o pai, um tio e outros parentes por obra do Khmer Vermelho.

Os cambojanos declaram que a magnitude desse exterminio e' ainda maior que os genocidios cometidos por Hitler, Stali e Mao Tse Tung, se avaliada a proporcao da populacao de cada povo em enfoque.

Fui visitar o campo de genocidio de Choeung Ek, a cerca de 20 quilometros de Phnom Penh, e onde, somente ali, 17 mil pessoas foram exterminadas em massa, atendendo `a politica de eliminacao de prisioneiros com economia de projeteis.

Mas fiquei mais impressionado com o Presidio de Tuol Sleng, hoje transformado em museu.

Tuol Sleng era uma escola secundaria que foi transformada em presidio por Pol Pot, e logo se tornou o maior centro de detencao e tortura do pais.

Quase todos os prisioneiros de Tuol Sleng, quando sobreviviam `as torturas, eram exterminados em Choeung Ek, e enterrados em valas coletivas. Durante o ano de 1977, 100 prisioneiros morriam, a cada dia, em Tuol Sleng.

Transformado em museu, Tuol Sleng ainda mantem os arames farpados, as celas minusculas, agora ladeados por telas e fotos que denunciam as torturas e mostram as perfuracoes covardes no alto de cranios de prisioneiros ajoelhados.

Tuol Sleng exibe, ainda, uma projecao diaria de um documentario relativo ao genocidio cambojano. Quando entrei, a sala de cinema estava lotada com um publico atento, quase todos cambojanos, alem de turistas.

Choeung Ek nao me impressionou da mesme forma. A beleza do monumento em forma de torre oriental (pagode, ou Stupa) e' tao fascinante que neutraliza qualquer aspecto macabro que pudesse advir dos 8.000 cranios depositados no interior do memorial.

O monumento de Choeung Ek e' didatico: nao pretende retratar o pesadelo com a crueza que ele teve. E' uma obra equilibrada e destituida de qualquer megalomania, como aquela que era caracteristica de Pol Pot.

Um bom filme contextualizado na epoca do genocidio cambojano, e'
"Os Gritos do Silencio" (The Killing Fields, 1984)
, encontrando em qualquer locadora, com historia verdadeira de um jornalista britanico e do seu motorista cambojano que sobreviveu nos campos de morte.

Julio Cesar, Angkor Wat, 7 de janeiro de 2006

Camboja


O Camboja, na antiga Indochina, e' um pequeno pais com fronteiras com a Tailandia e o Vietna.

Foi palco do maior genocidio do Seculo XX, em proporcao a sua populacao. Estima-se que ate um quarto da populacao foi exterminada, por um demonio chamado Pol Pot.

Esse demonio teve o apoio incondicional do Ocidente, e dos EUA em especial, devido a seu estrondoso fracasso na guerra do Vietna (eu calculo).

Em varios museus da cidade, pilhas e pilhas de cranios, embranquecidos, descansam dos horrores que viveram. O taxista que nos levou por esses assombros teve pai e tio assassinados pelo sistema (chamado Khmer Vermelho).

De modo algum ele e' excecao.

Abateu-me severamente a imagem de tres meninas, fotografadas pouco antes de morrerem. Eram criancas, e nada suspeitavam da existencia de demonios.

Em seu rosto, e no de todos os demais, a expressao implorando clemencia. Eles parecem pronunciar uma unica frase, expressamente proibida para vitimas de demonios: "nao me mate"

No rosto de uma das meninas, uma expressao de raiva e perplexidade. Era uma menina. Provavelmente nao sabia que era proibido viver, um crime que merece os requintes da tortura.

Nunca me esquecerei dessa vitima, um ser humano, sem chances contra a necessidade de assassinar.

Gerson Noronha Mota

Angkor Wat, 7 de janeiro de 2006.

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