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Alemanha: campo de concentração nazista de Dachau

Dachau, Alemanha, dezembro de 2010

Fornos do edifício crematório em Dachau (lê-se "dacáu"), que em determinadas épocas eram insuficientes para transformar em cinzas as pilhas de corpos dos prisioneiros confinados no campo de concentração localizado na pequena cidade a cerca de 30 quilômetros de Munique.

O portão de ferro da entrada do campo de concentração de Dachau exibe, ainda hoje, a irônica frase "Arbeit macht frei" (O trabalho liberta). Puro sarcasmo, pois os prisioneiros levados a Dachau eram utilizados em trabalhos extenuantes, que não raras vezes levavam à morte por exaustão. O trabalho jamais libertou alguém em Dachau.


Cartaz original da época anterior à ascenção de Hitler, afixado no interior do campo de concentração, com os dizeres "Unsere letzte hoffnung: Hitler" (Nossa última esperança: Hitler). Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha enfrentou uma notável deterioração na economia, causando grande privação à população, com desemprego elevado, inflação sem comparação e falta de bens essenciais. Hitler apoiou-se nesse cenário de desesperança, e pediu à população: eu tenho a solução, dêem-me a chace de governar! Após eleito, conduziu a Alemanha à guerra e o mundo à beira da destruição.

Fachada externa do edifício que abrigava o crematório de Dachau, bem como as câmaras de gás.
Seis fornos lado a lado, no interior do edifício.


O claustrofóbico interior de uma das câmaras de gás de Dachau, projetada para envenenar conjuntamente grupos de prisioneiros utilizando o gás Zyklon B

Os engradados de madeira aonde dormiam centenas de prisioneiros.


Reunidos às centenas, os prisioneiros sujeitavam-se à contaminação por doenças contagiosas, com tifo, tuberculose, etc, bem como à infecção por parasitas que se proliferavam em razão da aglomeração propositalmente desordenada.

Armário com algumas roupas usadas por prisioneiros do campo de concentração de Dachau.

Em Dachau, a SS adotou uma simbologia à base de cores, para distinguir os prisioneiros judeus, húngaros, ciganos, homossexuais, delinquentes contumazes, prisioneiros políticos, etc. Cada prisioneiros recebia um símbolo na cor do grupo ao qual pertencia. Isso fazia parte da estratégia de fragmentar os prisioneiros, fomentando as divergências por meio da diferenciação entre etnias, crenças, etc. A SS buscava, dessa forma, eliminar qualquer sentimento de fraternidade entre os prisioneiros.

Mesa de açoite, utilizada para um dos tipos de castigos aplicados aos prisioneiros. O instrumento de punição não era um chicote, mas uma grossa barra de madeira rígida. Desde a chegada a Dachau, ao desembarcarem dos trens, os prisioneiros conheciam o tratamento que lhes seria dispendido: chutados para fora dos vagões, passavam por um corredor de agressões pelos carcereiros da SS, e muitos dos prisioneiros recém-chegados faleciam ali mesmo na chegada.

Proibido fumar (Rauchen verboten). Mensagem pintada na sala de chegada, onde os prisioneiros despiam-se e deixavam todos os pertences. Deixar de fumar era a menor das privações que eles enfrentariam. O aviso deve-se à natureza dos trabalhos aos quais a maioria se dedicaria, na fabricação de munições para as forças nazistas.

Caminhando na imensidão que outrora abrigou os pavilhões de Dachau. O inverno rigoroso acentua a percepção dos sofrimentos enfrentados pelos prisioneiros durante o período de mais de uma década de funcionamento do campo de concentração.

As torres de vigília, ainda presentes, personificam o encarceramento brutal no campo de concentração.

Cerca de arame farpado que separa os pavilhões da área do crematório.

Ponte e portão que conduzem ao crematório.

As fundações de diversos pavilhões, hoje retirados.


Capela da Igreja Russa, um dos diversos monumentos religiosos hoje instalados na área do campo de concentração, que funciona como memorial da maior barbárie cometida na era moderna. 

Na entrada do crematório, um monumento instalado nos dias atuais, com a frase denket daran wie wirhier starben (lembrem-se de como nós morremos aqui).

Outro dos monumentos em memória dos prisioneiros mortos em Dachau.

Resolvamos fotografar em preto-e-branco, pois Dachau não deve ser visitado com a alegria das cores, mas com a seriedade lúgubre das sombras e das cinzas.

Memorial aos mortos em Dachau. A grande escultura de ferro tenta reproduzir prisioneiros presos em uma cerca de arame farpado, em uma tentativa suicida de fuga que ocorria frequentemente no campo de concentração.

Quando o desespero vencia todos os sentimentos de autopreservação, alguns prisioneiros lançavam-se às cercas de arame farpado, onde morriam alvejados pelos guardas.

No inverno intenso, como neste em que visitamos Dachau, as figuras humanas da escultura memorial parecem "sangrar gelo".

A pequena cidade de Dachau, mais antiga que Munique, e outrora famosa pelos artesãos escultores em madeira e pelos pintores de paisagens alpinas, hoje convive com o estigma de haver abrigado o primeiro campo de concentração nazista, que serviu de base para outras centenas de campos de extermínio no continente europeu.

Nunca Mais. Por trás da laje contendo as cinzas dos prisioneiros desconhecidos, o muro de Dachau ostenta a frase em cinco idiomas.

Dachau, dezembro de 2010.

Links Relacionados:

  Memorial do Holocausto - Miami

  Berlim: Memorial aos Judeus Assassinados na Europa (Parque de Lápides de Berlim)

5 comentários:

cantinho da su artesanato disse...

IMPRESSIONANTE!!
nós somos muito cruéis...
essas fotos dão nó na garganta, sufocam, traz mta tristeza, pessoas morreram de forma tão grosseira, famílias inteiras destruidas, tudo pela "raça pura"...
VERGONHOSO

Anônimo disse...

obrigado, foram muito úteis no meu trabalho sobre os campos de concentração nazi. e.. sim o que faziam era muito cruel..

Anônimo disse...

visitei esse lugar ... a sensação ao entrar nesse campo é de profunda tristeza ... imaginar o tanto de pessoas que morreram ... a maioria não passavam dos 30 anos de idade .... vale a pena conhecer pela história ... mas é extremante triste

Anônimo disse...

Apenas avaliando a possibilidade de ir.. emoção grande.. gostaria de conhecer se alguém sabe se há limite mínimo de idade para entre entrar em DACHAU

Júlio César e Izaura disse...

Pesquisamos a respeito da possibilidade de entrada de crianças, e não encontramos restrição. Na nossa visita, vimos grupos escolares visitando o campo, com algum nível de barulho, inclusive. Fica a critério dos pais ou responsáveis.