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Relembrando as faces da Índia

Relembrando a visita de dezembro de 2005/janeiro de 2006

Jaipur, capital do estado indiano do Rajastão. Em frente ao Hawa Mahal (हवा महल, em hindi; ou Palácio das Brisas), um Sadhu (asceta ou monge andarilho indiano) permite que eu registre seu sorriso cordial, em troca de poucas rúpias indianas.
Terra de Marajás. O palácio Hawa Mahal foi finalizado em 1799, a mando do Marajá Sawai Pratap Singh, inspirado na forma da coroa de Krishna, um dos principais deuses Hindus. Sua fachada contém 953 pequenas janelas chamadas jharokhas, recobertas de intrincados rendilhados de ferro e pedra, por onde as mulheres da corte real podiam observar o movimento das ruas sem serem vistas. 
A Índia e seus "homens-santos". O termo Sadhu vem do sânscrito e significa "homem bom", referindo-se àqueles praticantes do hinduísmo que escolheram renunciar ao modo de vida cotidiano, concentrando-se na prática religiosa. Chamados pela população de Baba (avô), eles são altamente respeitados como pessoas sagradas.
Há cerca de 5 milhões de Sadhus atualmente na Índia.
Agra, estado indiano de Utar Pradesh. Ao aguardar o trem que nos levaria de volta a Délhi, não resisti e pedi para tirar uma foto desse Sadhu. Dei-lhe uma moeda e ele retribuiu de modo tradicional, encostando-a no coração, entre a palma da mão e o peito.
Jaipur, Rajastão. O músico em frente ao lago Man Sagar, com a esplêndida visão do palácio Jal Mahal (palácio das águas), ao fundo, construído sob os estilos Rajput e Mughal.
Délhi. Na Índia, não é fácil distinguir os pedintes profissionais, vocacionais e eventuais. Na dúvida, eu batia uma foto de cada um em troca das moedas constantemente solicitadas e sempre considerei uma excelente troca para mim. Afinal, o que sobressai nessas imagens não é a indigência tantas vezes presentes no ambiente, mas a peculiaridade nas vestes e costumes, evidenciando as dramáticas diferenças em relação à cultura ocidental. 

Menina em frente à cidadela de Fatehpur Sikri (फ़तेहपुर सीकरी), em Uttar Pradesh.

Rio Ganges, em Varanasi, Uttar Pradesh. A vendedora de velas flutuantes aproximou-se de nossa embarcação, com a intenção de vender oferendas para serem lançadas no Rio Ganges. Comprei uma, somente como pretexto para registrar esta imagem.
Conduzindo uma canoa decrépita, um dos barqueiros que percorrem as águas "sagradas" do rio que sepulta os ossos, cinzas e cadáveres parcialmente cremados em suas margens.

Manhã de janeiro, na cidade de Varanasi. Navegando sobre o Ganges - rio sagrado do Hinduísmo - o barqueiro mostrou-nos as populosas margens do rio, onde os fiéis lavam-se nas escadarias, utilizando-se das mesmas águas onde os restos mortais dos hindus mais afortunados são lançados, após a cremação parcial nas infindáveis e incessantes piras funerárias existentes.
Enquanto falava, em um inglês sofrível, o barqueiro tomava com as mãos sucessivos goles da água do rio, sem se importar com detalhes microbiológicos.

Condutor acocorado sobre a cabeça de seu elefante, em Amer Fort, imensa fortificação nas colinas de Jaipur, e antiga residência dos marajás do Rajastão.
Enquanto eu aguardava um espaço para uma foto minha diante do Taj Mahal, não resisti e fotografei a disputa de espaço entre turistas indianos e nepaleses.


(LIGUE O SOM)

Mendigos, cadáveres e cremações a céu aberto: o Ganges, rio sagrado do hinduísmo, povoou meus piores pesadelos.

Júlio César, dezembro de 2005

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