English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Translate this Blog

O Boto do Rio Ganges

O Boto do Rio Ganges

(Boto do Ganges - Platanista Gangetica)

O Ganges e' o rio sagrado da India.

Os hindus acreditam que suas aguas descem diretamente dos ceus, por obra constante do deus Brahma, criador do universo.

Isso nao e' totalmente falso, as aguas do Ganges provem do degelo das altas montanhas da cordilheira do Himalaia. O rio nasce nas incriveis altitudes geladas do Tibet, atravessa o norte da India, para finalmente desaguar no Oceano Indico, nas vizinhancas de Calcuta ("Kolkata", para os indianos).

Ao passar por Varanasi, cidade sagrada, o Ganges recebe diariamente milhares de devotos, que banham-se ao amanhecer, oram, oferecem-lhe velas acesas, bebem sua agua (escura e inegavelmente suja) e lancam-lhe as cinzas e os ossos de seus entes queridos, cremados nas escadarias (os "Ghats") `as margens do rio santo.

Fui visitar o Ganges `as 6:00 da manha. Ainda escuro, embarquei na pequena canoa a remo, e lancei-me num vai-e-vem, guiado pelo remador, fotografando as margens sob o pesado nevoeiro.

`As 6:30, a luz do sol possibilitou-me filmar os devotos banhando-se nas margens. Alguns ensaboavam-se, outros tomavam nas maos um punhado de agua e juntavam-as em prece, frente ao peito. Outros cantavam. Varios mendigos e homens-santos (os "Sadhus") dormiam sob precarios cobertores.

Foi quando vi o golfinho.

Na direcao da margem oposta `as escadarias e crematorios, e no caminho do sol nascente, o Boto do Ganges saltou para fora, com um barulho tranquilo de aguas calmas revolvidas com cuidado.

Fixei o olhar na sua direcao, e o boto saltou novamente, exibindo o bico longo e a feicao semelhante ao nosso boto cor-de-rosa.

Eu mal podia acreditar. Ja empreendi viagens longas para dmirar tubaroes, golfinhos e outros animais aquaticos. Eles sempre me fascinam. Mas nao esperava esse presente do Ganges.

Do dia de hoje, fixarei a lembranca da desordem nas ruelas fetidas e dos escombros que levam ao rio santo dos hindus.

Lembrarei das dezenas de indigentes enrolados em trapos, adormecidos na madrugada fria de Varanasi.

Recordar-me-ei dos crematorios, e da fumaca que resulta da transformacao dos corpos em cinza, e lhes facilita a subida aos ceus.

Mas nunca deixarei de lembrar do golfinho, que mostrou-nos sua presenca nesse habitat tao inospito e improvavel.

Julio Cesar
Varanasi, India, 2 de janeiro de 2006

Nenhum comentário: