Ao perceber que eu fotografava os templos, o sacerdote de Pura Besakih brindou-me gentilmente com várias poses dele próprio
As flores são presença constante no clima tropical de Bali, adornando os templos e imagens, como aqui, em Pura Besakih
O templo situa-se em uma área bastante ampla. Normalmente, várias cerimônias religiosas são realizadas simultaneamente, em cada uma das áreas independentes, todas a céu aberto.
Menino balinês, elegantemente trajado para a cerimônia hinduísta de sua família, em Pura Besakih
Na entrada do templo, um rapaz se ofereceu para guiar-me pelo templo. Como ele insistiu bastante, e falava inglês razoavelmente, resolvi aceitar a ajuda.
Foi uma ótima decisão. Graças ao rapaz, pude entrar em uma área reservada, onde estava acontecendo uma cerimônia hinduísta de uma localidade próxima, ao som da tradicional música de percussão metálica balinesa, o Gamelan.
Percebi que eu era o único ocidental naquela área do templo, cercado de habitantes locais e vivenciando algo genuinamente tradicional daquele povo. Tudo isso, graças à cordialidade dos balineses hinduístas, pois se fossem muçulmanos (religião da maioria dos habitantes da vizinha Java), eu não passaria do portão com minha profanas câmeras.
Alvo das minhas fotos e filmagens, essa família reage como todos os demais balineses que encontrei: sempre gentis e receptivos
Será que eles estavam rindo do fotógrafo ocidental? Será que eu amarrei meu sarongue da forma errada? Jamais saberei.
Em plena rua, as estátuas acordam adornadas com flores e as portas amanhecem com oferendas de alimentos e incenso. Ubud é perfumada em todos os cantos.
Sem dúvida, uma família próspera, pelos trajes que ostentam
Os balineses consideram-se prósperos, em razão da fertilidade da terra. Realmente, não faltam frutas e vegetais de toda espécie por aqui, e a falta de carne bovina (cujo consumo é vedado por força da crença hinduísta) é compensada com peixes e aves.
Mas o fator determinante para esse sentimento de prosperidade e de “pertinência em sua própria cultura” não se deve tanto aos bens materiais, mas resulta da cooperação entre os membros da comunidade, um dos pilares da cultura local.
A terra é fértil, é verdade: os solos vulcânicos de Bali, generosamente regados pelas chuvas das monções geram alimentos quase sem esforço. Os terraços de cultivo de arroz passam de geração a geração, produzindo colheitas fartas sem muito sacrifício humano.
Essa fertilidade dos campos foi fundamental para a eclosão e consolidação da rica cultura balinesa, pois o tempo que sobra aos indivíduos é investido em cultura, artes e convivência pacífica. Os balineses são, de fato, bastante prósperos.
Não é difícil flagrar sorrisos desse povo normalmente gentil
Enquanto a maioria do grupo comparecia à cerimônia, o churrasqueiro preparava três porcos assados, para os festejos subsequentes
Diferentemente dos hindus, os balineses não têm restrição à carne de porco. Em pleno templo de Pura Besakih, três porcos imensos eram assados para o almoço do grupo que se confraternizava.
Ao final de muitas fotos e filmagens, o grupo rumou de volta para a aldeia.
Através do meu guia, contratado nos portões do templo, fui convidado para seguir com eles até a confraternização. Infelizmente, temi encontrar dificuldades para retornar, pois o motorista do meu jipe me esperava na entrada do templo, e eu estava a algumas horas de Ubud. Com certeza, perdi belas imagens e boas histórias.
Júlio César, maio de 2001


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