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Povos do Lago Titicaca: Uros e Taquilenhos

Lago Titicaca, Peru, agosto e setembro de 2005

Menina taquilenha (natural da Isla Taquile).
Tiramos esta foto ao final da tarde, quando retornávamos pelas trilhas escarpadas da Isla Taquile, em direção ao barco, para seguir de volta a Puno. Essa imagem, para mim, é única: as vestes coloridas, o sério semblante andino, a encosta íngreme ao fundo, cultivada pelos habitantes (provavelmente pela família da menina) , e como moldura o majestoso lago Titicaca, que, visto ao longe, sempre parece o mar.

A cidade peruana de Puno, à beira do lago Titicaca.
Puno é um ótimo ponto de partida para conhecer as atrações da região: os Uros, povo nativo que vive em ilhas artificiais flutuantes, feitas de juncos ("Totora"), e os habitantes da belíssima Isla Taquile.

O Lago Titicaca, com cerca de 8300 km², situado a 3.821 metros acima do nível do mar comercialmente navegável mais alto do mundo e o segundo em extensão da América Latina. Localizado na fronteira entre Peru e Bolívia, tem uma profundidade média de 140 a 180 m, e uma profundidade máxima de 280 m.

Mais de 25 rios deságuam no lago, que tem 41 ilhas, algumas densamente povoadas, como a Isla Taquile, que fomos visitar de barco, a partir de Puno.
O menino taquilenho, vestido em trajes típicos, estava parado neste portal de pedra.

Ao fundo, o lago Titicaca, de onde os habitantes da ilha pescam trutas e peixe-rei. Para chegar até a Isla Taquile, tomamos um barco no porto de Puno, e navegamos pelo Titicaca por cerca de duas horas. O lago é grande o suficiente para comportar ondas e marolas, que sacodem um pouco o barco.

Menina taquilenha, no centro do pueblo (pequena cidade) da ilha.

As cores das vestes dos povos andinos sempre "puxam" para o vermelho, contrastando com o onipresente céu azul das altitudes e rendendo belíssimas fotos, como esta. Depois que tirei a foto, mostrei o visor da câmera para a menina, que pareceu gostar da imagem.


Fazendo mímica, mostrei sorrindo a câmara fotográfica a esse habitante de Taquile, pedindo para tirar uma foto. Imediatamente, ele respondeu na mesma linguagem, mostrando com os dedos em "V" o número 2. Trato feito! bati a foto e dei-lhe os dois pesos peruanos conforme o contrato "verbal" previamente feito.
Orgulhosos das roupas coloridas que vestem, os taquilenhos tecem incessantemente os tecidos coloridos característicos. Mesmo os homens dedicam parte de seu tempo a tecer peças tradicionais, a exemplo da faixa que utilizarão na cintura no dia do casamento, cuja trama intrincada utiliza em parte fios de cabelo.

Anciã tecendo na encosta sobre o Titicaca.
Horário de saída da escola, no centro da Isla Taquile, Lago Titicaca.

UROS: O POVO DAS ILHAS FLUTUANTES
Os Uros caminhando sobre as ilhas flutuantes no Lago Titicaca

Os Uros vivem sobre ilhas artificiais feitas de sucessivas esteiras de junco (totora) sobrepostas, amarradas e entrelaçadas. Quando as camadas mais antigas vão apodrecendo em razão do contato constante com a água do Lago, os habitantes espalham camadas novas sobre o "solo artificial" constantemente renovado como medida de sobrevivência. Quando se caminha pela primeira vez nas Islas Flotantes, a impressão é que vamos perder o equilíbrio, pois o pé afunda um pouco.

A totora também serve de material para construção das casas, dos barcos, bancos para sentar e inúmeros outros utensílios dos Uros. Na foto acima, o Titicaca serve de espelho para as vestes coloridas das mulheres nativas.

Espreguiçando-se ao final da manhã, o menino rola sobre o solo artificial da ilha flutuante onde vive.
Quase sempre indiferentes aos turistas que diariamente visitam as exóticas ilhas flutuantes, as crianças prosseguem brincando, e às vezes têm a atenção atraída por um aceno, sorriso, ou uma câmara fotográfica diferente.
Nas ilhas flutuantes, o espaço é bastante limitado. As crainças brincam em meio aos peixes recém apanhados (trutas e peixe-rei, na foto, ao fundo), aves e roedores criados para consumo. 

Breve descanso nas ilhas flutuantes dos Uros.

Fiz questão de registrar minha presença ao lado de um barco de totora.

Dizem que os Uros decidiram criar toda essa extensa rede de ilhas artificiais flutuantes (hoje ainda há cerca de 400 ilhas) há muitas centenas de anos, para fugir da dominação de outros povos, dentre eles, os Incas. Os Uros decidiram morar no meio do lago, dificultando o ataque e abrindo mão da posse de terras.
O barco de totora, no qual embarcamos mais tarde, para visitar outra ilha flutuante vizinha. O barco pareceu bastante estável, embora houvéssemos navegado apenas sobre águas tranquilas.

(Mulas transportadas em barcos de Totora - Foto: Harriet Chalmers Adams - The National Geographic Magazine, setembro de 1908)
Em setembro de 1908, a fotógrafa e exploradora Harriet Chalmers Adams registrou a utilização das balsas de totora como meio extensivo de transporte sobre o Titicaca, relatando para a revista daquele início de século: "As balsas de junco são a característica mais peculiar destas paisagens. As velas, assim como o corpo dos barcos são construídos de esteiras entrelaçadas, e a balsa pode ser usada por seis meses, quando se torna encharcada de água e deve ser abandonada. Navegar nesses estranhos barquinhos mostrou-se um excitante passatempo. O barco é simplesmente uma grande cesta feita de ramos da gramínea amarrados juntos na forma aproximada de uma canoa".

Maritza, a vendedora.

Compramos duas bonitas capas para almofadas desta vendedora nativa, e pedi para tirar uma foto. Ela aceitou e, muito contente, fez esta espontânea pose fraterna. Gostamos muito da foto e das almofadas, e não esquecemos mais o nome da Maritza, da etnia dos Uros, moradora das ilhas flutuantes do Lago Titicaca.
Fotos incríveis.

Os ventos não estavam tão fortes, mas a altitude do Titicaca faz com que as manhãs de sol sejam um pouco frias. Emprestei meu gorro de montanha para minha fotógrafa, que tirou fotos incríveis.

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