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Uuluru (Ayers Rock)

Deserto de Gibson, abril de 2001


Fiz um “cafuné” no camelo que vinha logo atrás do meu, no comboio ao redor do Uluru, grande rochedo sagrado dos aborígenes

O Uluru (ou Ayers Rock, na denominação na língua inglesa) é um monólito gigantesco que emerge, solitário, da monotonia do Deserto de Gibson, região semi-árida no centro da Austrália.

Ao amanhecer e ao entardecer, a rocha imensa intensifica sua cor vermelha e se torna viva como brasa.

O Uluru faz parte da reserva do povo aborígene australiano e vários pontos dele têm ligação com a mitologia aborígene, representando a criação do universo.

Não há cidade realmente próxima do Uluru. Alice Springs fica a centenas de quilômetros daqui, e a melhor opção é hospedar-se no único resort próximo, isolado no meio dessa região árida.



Trazidos para a Austrália há mais de um século, os camelos australianos hoje são exportados para alguns países do oriente médio

Tive sorte no hotel. Fiz a reserva no quarto mais barato disponível, mas em razão da baixa temporada, ganhei um upgrade gratuito para um quarto de categoria superior, sem gastar nenhum tostão a mais!

O resort oferecia um passeio de camelo ao redor do grande rochedo. Não pestanejei e fiz minha reserva. No dia seguinte, montamos sobre os camelídeos ainda antes de o sol raiar. Fazia um frio de doer (o que é típico dessa região, onde o calor do dia pode bater os 50º C).

Acordados pelo grupo, os camelos resmungaram fortemente, soltando um urro amedrontador! No frio da madrugada, seus bafos condensavam-se em névoa.

Cavalgar os camelos é bastante confortável. Ainda assim, ao final de algumas horas, meus joelhos doíam. Mas a experiência foi equivalente, para mim, a um passeio lunar.


Nas ruas de Kuranda, no estado de Queensland, um aborígene usa dois bumerangues como instrumentos musicais

Amanhecer na região de Ayers Rock

O amanhecer e o pôr-do-sol no Deserto de Gibson brindam os olhos dos visitantes com rochas fumegantes: o Uluru e as Kata Tjuta (formação próxima, conhecidas como Olgas, em inglês) acendem-se em brasa, e o céu colore-se de nuvens encarnadas.

Ciente de que estava longe dos perigos da civilização, caminhei sozinho pelo deserto, de dia e de noite. No céu transparente e isento de poluição luminosa, pude ver um satélite artificial mover-se lentamente.

Cinco dias depois, retornaria para Sydney, levando como imagens eternamente memorizadas o Uluru, Olgas, camelos, o deserto e a versatilidade da natureza.

Júlio César, maio de 2001

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