
O Uluru (ou Ayers Rock, na denominação na língua inglesa) é um monólito gigantesco que emerge, solitário, da monotonia do Deserto de Gibson, região semi-árida no centro da Austrália.
Ao amanhecer e ao entardecer, a rocha imensa intensifica sua cor vermelha e se torna viva como brasa.
O Uluru faz parte da reserva do povo aborígene australiano e vários pontos dele têm ligação com a mitologia aborígene, representando a criação do universo.
Não há cidade realmente próxima do Uluru. Alice Springs fica a centenas de quilômetros daqui, e a melhor opção é hospedar-se no único resort próximo, isolado no meio dessa região árida.
Trazidos para a Austrália há mais de um século, os camelos australianos hoje são exportados para alguns países do oriente médioTive sorte no hotel. Fiz a reserva no quarto mais barato disponível, mas em razão da baixa temporada, ganhei um upgrade gratuito para um quarto de categoria superior, sem gastar nenhum tostão a mais!
O resort oferecia um passeio de camelo ao redor do grande rochedo. Não pestanejei e fiz minha reserva. No dia seguinte, montamos sobre os camelídeos ainda antes de o sol raiar. Fazia um frio de doer (o que é típico dessa região, onde o calor do dia pode bater os 50º C).
Acordados pelo grupo, os camelos resmungaram fortemente, soltando um urro amedrontador! No frio da madrugada, seus bafos condensavam-se em névoa.
Cavalgar os camelos é bastante confortável. Ainda assim, ao final de algumas horas, meus joelhos doíam. Mas a experiência foi equivalente, para mim, a um passeio lunar.
Nas ruas de Kuranda, no estado de Queensland, um aborígene usa dois bumerangues como instrumentos musicais
Amanhecer na região de Ayers Rock
O amanhecer e o pôr-do-sol no Deserto de Gibson brindam os olhos dos visitantes com rochas fumegantes: o Uluru e as Kata Tjuta (formação próxima, conhecidas como Olgas, em inglês) acendem-se em brasa, e o céu colore-se de nuvens encarnadas.
Ciente de que estava longe dos perigos da civilização, caminhei sozinho pelo deserto, de dia e de noite. No céu transparente e isento de poluição luminosa, pude ver um satélite artificial mover-se lentamente.
Cinco dias depois, retornaria para Sydney, levando como imagens eternamente memorizadas o Uluru, Olgas, camelos, o deserto e a versatilidade da natureza.
Júlio César, maio de 2001


Nenhum comentário:
Postar um comentário