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Key West, Florida: o naufrágio do galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, o Museu Marítmo Mel Fischer e o desaparecimento da barra de ouro

Lingotes de ouro de 400 anos, retirados do fundo do mar da Flórida


Key West, Flórida, março de 2010
 QUE TAL LEVANTAR UMA BARRA DE OURO DE 400 ANOS?

No Museu Marítimo Mel Fischer, em Key West, existe um compartimento de acrílico com um orifício pelo qual os visitantes podem tocar e levantar uma barra de ouro recuperada do fundo do mar, do naufrágio Nossa Senhora de Atocha, naufragado por um furacão em 1622 na região das Florida Keys.
Quando tocamos e levantamos a barra de ouro, em março de 2010, mal sabíamos que ela seria roubada, pouco tempo depois, em agosto daquele ano.
O MUSEU MARÍTIMO MEL FISCHER

O pequeno Museu Marítimo Mel Fischer, em Key West, exibe ao público centenas de quilos de ouro, prata, pedras preciosas, jóias, moedas datadas de 1598 a 1621, prataria inca, canhões, armas, algemas de escravos e outros artefatos recuperados, a partir de 1985, do navio espanhol Nossa Senhora de Atocha, naufragado na região, no século XVII.
Objetos da cultura Inca: o Atocha era uma das embarcações que levavam à Espanha a prata e o ouro roubado dos Incas, no Peru. Pelo menos nesse navio, a natureza vingou o saque que exterminou aquela civilização
Batizado em homenagem à paróquia de mesmo nome, em Madri, o Atocha permaneceu 363 anos no fundo do mar, com seus tesouros avaliados nominalmente em várias centenas de milhões de dólares (sem contar o valor histórico).
O naufrágio e sua fabulosa carga foram descobertos pela equipe de mergulhadores liderada pelo americano Mel Fischer, após dezesseis anos de mergulhos e tentativas fracassadas.
Fischer iniciou sua vida como criador de frangos no estado de Indiana e resolveu mudar-se para a Flórida, abrindo a primeira agência de mergulho de Key West, vindo posteriormente tornar-se um dos mais bem sucedidos caçadores de tesouros da história.
Mesmo após a longa luta para retirar os tesouros do mar, Fischer teve que litigar contra o Estado da Flórida, que reivindicava, comodamente, a propriedade dos tesouros. Após 8 anos de processo judicial, a Suprema Corte dos Estados Unidos deu ganho de causa a Mel Fischer, que pode finalmente auferir os lucros de sua iniciativa e recuperar os custos das expedições, vendendo parte do tesouro ao público.
O restante permanece no museu fundado por Fischer em Key West.


Retiradas do fundo do mar, as bestas eram as armas utilizadas pelos soldados e tripulação do navio
 
 Canhões de bronze do Atocha



O NAUFRÁGIO DO ATOCHA

O Nossa Senhora de Atocha (Nuestra Señora de Atocha), é o navio mais famoso de uma flotilha espanhola que rumava das colônias da América do Sul com destino à Espanha, tendo naufragado em razão de um furacão que o fez colidir, no ano de 1622, com os recifes de coral da região das Florida Keys

 Escravos: as algemas (grilhões) revelam que o Atocha transportava cerca de 300 escravos

 O acidente vitimou toda a tripulação, além de cerca de 300 escravos que eram transportados. Salvaram-se apenas três marinheiros e dois escravos.

Um dos estupendos colares de ouro maciço levados no Atocha, rumo à Espanha
  
 


Ao afundar, o Atocha estava carregado com 40 toneladas de ouro e prata, além de cobre, tabaco, pedras preciosas (das quais se destacam inúmeras esmeraldas de altíssima qualidade, extraídas das minas colombianas), jóias, especiarias e escravos, trazidos de todas as colônias espanholas, incluindo as regiões hoje correspondentes ao Peru (várias peças de prataria inca eram levadas ainda inteiras, para posterior fundição na Espanha), Bolívia (vários lingotes de ouro trazem marcas de fundição da cidade boliviana de Oruro), Equador e Colômbia. 


O Atocha recolheu a preciosa carga em Cartagena (Colômbia) e Havana (Cuba), e rumou com destino à Europa. Colhido por um furacão, foi a pique em 1622, acarretando um prejuízo gigantesco à Espanha, envolvida à época com a Guerra dos Trinta Anos.



TESOURO ESPALHADO PELOS FURACÕES AO LONGO DOS SÉCULOS

Acredita-se que o tesouro já recuperado corresponda a somente metade daquilo que era transportado pelo Atocha, pois a maior parte das pedras e metais preciosos era transportada em uma parte não encontrada, normalmente presente na cabine do capitão, na parte traseira do navio.

Isso se explica pelos inúmeros furacões que varrem a região das Florida Keys ao longo dos anos. Key West já foi varrida por diversos deles e posteriomente reconstruída.

Com a carga do Atocha, o problema da dispersão no leito marinho agrava-se com as fortes correntes marinhas, que são capazes de espalhar os restos de um navio afundado por milhares de quilômetros quadrados.



20 DE AGOSTO DE 2010 - O FURTO DO LINGOTE DE OURO DE 400 ANOS


Até o momento, a polícia da Flórida e o FBI tentam desvendar o roubo da barra de ouro do Museu Mel Fischer. Espero que tenham colocado outra no lugar.


Júlio e Izaura, março de 2010

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