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Esculturas eróticas dos templos de Khajuraho, Madhya Pradesh

Khajuraho, estado indiano de Madhya Pradesh, dezembro de 2005

Localizada a 620 quilômetros a sudeste da capital indiana, a pequena cidade de Khajuraho (खजुराहो) tem o maior conjunto de templos medievais hindus e jainistas, famosos pelas esculturas eróticas e considerados patrimônio histórico da humanidade pela Unesco. Os templos de Khajuraho, com cerca de mil anos de idade, são também relacionados como uma das "sete maravilhas da Índia".

Os magníficos templos de Khajuraho, edificados entre os séculos X e XII dC pelos governantes da etnia Chandela, não contêm imagens eróticas no interior das construções, mas apenas nas paredes externas, muitas delas esculpidas em um detalhadíssimo conjunto, que recobre totalmente as fachadas de pedra dos edifícios.
Atualmente, há diversas teorias que buscam interpretar a profusão de imagens eróticas esculpidas nas paredes externas dos templos Chandela de Khajuraho. Uma delas conclui: as pessoas que buscam a divindade, devem deixar sua sexualidade e desejos fora dos templos. É possível que os templos tenham sido edificados para cultuadores de rituais tântricos da época.
Divindades, bacantes e rostos com evidente pudor intercalam-se numa grande orgia de esculturas sobre o arenito alaranjado dos templos Chandela.

ANO NOVO 2005-2006: longe de tudo, na pequena cidade de Khajuraho, com seus parcos 20.000 habitantes, passei o ano novo isolado de qualquer sinal próximo aos que se vê nas comemorações no ocidente. A única movimentação de visitantes se devia à iminente realização das festividades em homenagem a Shiva. Excetuando-se os templos, não há nada notável em Khajuraho, onde se vê a mesma miséria extrema da Índia cotidiana, onde pessoas disputam comida com vacas em plena rua.
Apesar dos percalços e dos riscos à saúde (principalmente do sistema respiratório em razão da grossa e constante poeira, e do sistema digestivo em razão dos quitutes indianos de higiene discutível), Khajuraho vale a visita, ao menos para aqueles que prezam conhecer outros mundos, quase alienígenas, tamanha a diferença cultural e a desumana miséria que não abala a vida de seus pragmáticos e resignados habitantes.
Visitantes indianos caminham entre alguns dos templos de Khajuraho. Em razão da procura da cidade pelos visitantes do mundo inteiro, a maior parte dos templos foi cercada, neles se permitindo somente a visitação turística, e não mais a realização dos rituais hindus e jainistas de outrora. Sem dúvida, essa é uma providência que permite a melhor preservação dos templos milenares, poupados dos passos incessantes dos fiéis nos rituais religiosos.




Do lado de fora da área cercada, um templo de Khajuraho ainda permite a realização dos rituais Hindus, pelas hordas incessantes que sobem e descem as escadarias, permanentemente molhadas de óleos, perfumes, incenso, comida e oferendas.

Fotos feitas com uma pitada de covardia: tirei essas fotos com teleobjetiva, enquanto observava a multidão a partir de uma distância que me pareceu "segura". O que me desencorajou a subir no templo foram os homens descalços, sem camisa e aparentemente "besuntados" de algum tipo de óleo cerimonial. Temendo pelo contato excessivamente próximo com a multidão e com suas prováveis oferendas líquidas e pegajosas, permaneci ao longe, condenado a desconhecer eternamente o significado dos gritos eufóricos que transbordavam do templo.
A mulher e o leão mítico (Vyala) na plataforma de um dos templos.
A escultura vista de outro ângulo, com o templo ao fundo.
Vistos à distância, os templos lembraram-me formas assemelhadas a naves extraterrestres, dignas de filmes de ficção ao estilo Predador. Sem dúvida, o povo Chandela desenvolveu um senso estético único, mil anos atrás, ao criar edifícios assemelhados a ojivas decoradas com seres humanos em plena ação, muitas vezes sexual.
O incrível rendilhado de pedra que adorna as fachadas dos templos de Khajuraho.
Algumas das fachadas de pedra ostentam nichos, com divindades e agregados.

Alheio à deselegância de seu abdomem exagerado, o deus Ganesh posa em passo de dança em outro nicho esculpido no arenito indiano.


Júlio César, ano novo 2005-2006

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