Berlim, dezembro de 2010
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| Na avenida Bernauer Strasse, um dos últimos trechos do Muro de Berlim, mantido em pé como parte de um memorial a um dos trechos mais infames da história européia do Século XX. |
A barreira entre "as duas Berlins" do pós-guerra (a Berlim Ocidental - controlada pela França, Inglaterra e Estados Unidos - e a Berlim Oriental, controlada pela União Soviética) começou a ser construída em 1961, como um muro de tijolos e arame farpado. Gradativamente, o muro incorporou acréscimos, com barreiras anti-tanques, corredores patrulhados, guaritas com atiradores, campos minados, fossos e toda espécie de obstáculo que justificaram o apelido de "faixa da morte".
Símbolo da divisão entre ocidente e oriente (capitaneados pelos EUA X URSS, ou Otan X Pacto de Varsóvia) durante as últimas décadas da Guerra Fria, o muro foi construído pelo governo socialista da Alemanha Oriental (subordinada a Moscou), com a finalidade de conter a evasão de moradores para o lado capitalista. Para o governo socialista, a estrutura era uma "muralha de proteção anti-fascista", que durou mais de 28 anos, até o início da derrocada do bloco soviético em 1989.
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| No rigoroso inverno do final de 2010, o gelo conserva várias coroas de flores depositadas no memorial às 136 vítimas oficiais do regime socialista alemão, mortas no período desde 1961 até 1989, ao tentar atravessar o muro para o lado ocidental. |
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| O repentino fechamento da fronteira entre as duas divisões da Alemanha do pós-guerra deu-se na madrugada de 13 de agosto de 1961, quando polícia e exército erigiram a barreira física que imporia dramáticas repercussões pessoais aos moradores de Berlim. Do dia para a noite, pessoas não podiam mais visitar amigos, parentes, filhos, esposas, ou simplesmente transitar pelos caminhos habituais. |
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| Do dia para a noite, as casas do outro lado da rua tornaram-se parte de outro Regime. Em desespero, inúmeras pessoas tentaram atravessar o muro ao longo dos 28 anos de sua existência. Muitas conseguiram. Outras foram detidas por fuzilamentos sumários. |
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No memorial da Bernauer Strasse, alguns trechos do muro foram substituídos por fileiras vazadas de vergalhões metálicos, deixando o visitante com uma certa perplexidade pela grata facilidade com que podemos atravessar a barreira mortal outrora existente.
Ao longo do espaço memorial, placas descrevem o ocorrido com algumas das vítimas naquele trecho. |
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Placa em memória a Otfried Reck, morto aos 17 anos, em 1962, após tentar atravessar para Berlim Ocidental pelos túneis de ventilação da estação desativada de metrô que anteriormente ligava os dois trechos.
Em 1995, vários anos após a queda do muro, o soldado que o alvejou pelas costas foi julgado pelo tribunal distrital de Berlim, que o condenou por homicídio, pois os disparos foram efetuados quando a tentativa de fuga já havia falhado, e Otfried já corria de volta, por uma pista de patinação vizinha. |
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| Ao fundo da paisagem marcada pela cruz posta em memória às vítimas do muro, delineia-se os desenhos e grafites sucessivamente traçados no lado ocidental, como prenúncio da queda da barreira símbolo da Guerra Fria. |
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Desmontados após a queda do muro, a maioria dos grandes blocos de concreto que o compunham foi demolida ou vendida e até mesmo doada a outros países como forma de disseminar a necessária lembrança permanente de uma das insanidades históricas tão próximas de nosso tempo.
No memorial da Bernauer Strasse, vários blocos foram fincados como lápides no chão. Neles se destaca uma figura, em grafite, de um homem com asas, para o qual um simples muro não seria barreira suficiente. |
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| A queda do muro pelas lentes da National Geographic, novembro de 1989: Berlim reunida após 28 anos de separação - Pessoas em lágrimas na Potzdamer Platz. |
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O passo impossível, pela fileira de hastes que marcam o local por onde prosseguia o muro até 1989.
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| Na visita que fizemos ao memorial, em 24 de dezembro, ficamos com a dúvida: Quem exatamente haveria depositado as flores sobre o chão gelado? |
A resposta veio no noticiário semanal alemão: algumas das flores (as amarelas) haviam sido depositadas pelo príncipe britânico Harry, em visita oficial no dia 19
Júlio e Izaura, dezembro de 2010
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