Mar Sem Fim

Nesta tarde, dei adeus ao Japão, prometendo voltar.
Até o Canadá, serão 12 horas de vôo contínuo, sobre águas, águas e águas, do interminável Oceano Pacífico.
Foi lendo o livro do maior navegador brasileiro - Amyr Klink - que eu descobri uma estrofe do poeta português Fernando Pessoa:
"E ao imenso e possível oceano
ensinam estas Quinas, que aqui vês,
que o mar com fim será grego ou romano:
o mar sem fim é português."
O poeta lusitano distingue, com elegância, o Mar Mediterrâneo (mar com fim) - com suas dimensões alcançáveis desde os tempos da Grécia antiga - dos grandes oceanos Atlântico e Pacífico (mar sem fim), inalcançáveis por tantas eras, até o início das grandes navegações portuguesas.
Para meu privilégio, supero em poucas horas, o Mar Sem Fim, e a epopéia dos grandes navegadores, e chegarei ao Canadá em pouco mais de uma dezena de horas, sem mover um músculo.
Viva o mundo moderno!
Júlio César Machado
4 de janeiro de 2006 (a 11.000 metros sobre o Oceano Pacífico Norte).
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