Budapeste, dezembro de 2010
Não é um memorial ao comunismo, mas à queda do comunismo, fazem questão de salientar os criadores do Szoborpark (Memento Park, em inglês), em um subúrbio de Budapeste, onde uma praça murada reúne diversas estátuas colossais utilizadas como meio de propaganda ideológica pelo regime comunista vigente na Hungria desde o período após a II Guerra Mundial até meados de 1989.
Concebido pelo arquiteto húngaro Ákos Eleőd que o idealizou em razão de um concurso lançado pela administração da cidade na época (Fovárosi Közgyulés), foi inaugurado e aberto ao publico em 29 de junho de 1993 no segundo aniversario da retirada dos exércitos russos em território húngaro.
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| A impressionante estátua colossal em homenagem à primeira tentativa de implantação do regime comunista na Hungria. Em 1919, a Hungria foi o segundo país europeu a tentar implantar o comunismo/socialismo, seguindo os passos da revolução bolchevique, na Rússia. Implantada em Budapeste, a República dos conselhos operários e camponeses durou apenas 133 dias, derrotada pelas tropas francesas, sérvias e romenas. Entretanto, o regime socialista seria reimplantado após a II Guerra Munidal, desta vez por imposição da Rússia. |
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| Museu a céu aberto: entre as estátuas gigantes, a neve e o frio intenso espantaram qualquer outro visitante, e pudemos contemplar sozinhos, naquela manhã de dezembro, a praça cercada com as bizarras lembranças desse período sombrio da história. |
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| Uma das estátuas de Lênin, colocada nos muros de entrada do Memento Park. Retirada das ruas de Budapeste após a queda da Cortina de Ferro em 1989, a estátua em broze escapou de ser fatiada e destruída pela população húngara, recém libertada do jugo soviético. |
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| Karl Marx (à frente), e Friedrich Engels, autores do Manifesto Comunista, ensaio teórico que forneceu as primeiras bases para a implantação do regime socialista em inúmeros países. |
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| Mãos fortes, que parecem ter a intenção de segurar o mundo - o Memorial ao Movimento dos Trabalhadores, do ano de 1976. Ao fundo, logo à direita, Lênin estende os braços, discursando à multidão. |
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| Memorial aos combatentes húngaros nas Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola - Escultura em bronze, do ano de 1968. |
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| Humanos, soldados ou robôs? Despersonificados e destituídos, quase por completo, de traços individuais, os soldados representados na escultura espelham bem a mensagem do regime socialista: o indivíduo cede seu espaço à coletividade, é uma peça passível de fácil substituição. O que vale é apenas sua força de trabalho ou de combate, em prol do regime, força representada pelos traços excessivamente musculosos presentes em todas as estátuas. |
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| Aos pés do gigante comunista - A ditadura soviética na Hungria, a exemplo de outras tantas situações na história, utilizava a grandiosidade física dos monumentos como estratégia para "apequenar" o indivíduo. | |
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| Memorial aos heróis soviéticos - Monstros de bronze, outrora presentes nas ruas e praças da Hungria. |
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| As estátuas e monumentos em bronze mesclam heróis do regime socialista, tanto húngaros como soviéticos. |
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| Mais alta e forte que o soldado soviético, somente a bandeira por ele empunhada. Monumento à libertação da Hungria, pelo Exército Vermelho. Ironicamente, a "libertação" dos húngaros da ocupação alemã, ao final da II Guerra Mundial, imediatamente se converteu em novo domínio estrangeiro, desta vez pelos russos. |
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| Memorial à amizade entre húngaros e soviéticos - Embora o nome do monumento faça menção a "amizade", a mensagem transmitida por esta escultura colocada nas ruas de Budapeste parece clara: ao operário húngaro (à esquerda) cabe agradecer com ambas as mãos ao soldado soviético, que apenas recebe o cumprimento com uma das mãos, em postura de clara superioridade. |
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| Camarada Lênin! |
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| Muros rústicos, com portais que deixam antever o conteúdo da área central do Memento Park. |
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| Memorial ao herói comunista húngaro Miklós Steinmetz - nascido na Hungria, filho de pais comunistas, Steinmetz emigrou para a Rússia e ingressou na Juventude Comunista, tendo lutado em apoio às Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola, tornando-se capitão do Exército Vermelho. Na Batalha de Budapeste, no inverno de 1944, quando os soviéticos cercaram a cidade de Budapeste dominada pelos alemães, Steinmetz levou o ultimato aos alemães, demandando a rendição da ocupação nazista. Morreu logo após a vitória soviética em Budapeste, em 1944. |
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| Monumento aos mártires, 1960. |
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| Monumento do ano de 1986, representando o líder comunista húngaro Béla Kun exortando os soldados à guerra, do alto do palanque. |
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| Alguns monumentos em pedra, anteriormente instalados em praças públicas na Hungria, certamente seriam destruídos após a retirada, ao término da ocupação soviética. |
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| Esse belo monumento foi extraído de sua localidade original completo, inclusive com o aparador para coroa de flores em frente a ele. |
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| Georgi Dimitrov, Secretário-Geral da Internacional Comunista entre 1934 e 1943. |
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| O soldado sovietico e o portão de entrada do Szoborpark. |
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| Placa- relevo de Lênin, em bronze. |
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| As botas da estátua colossal de Stalin, serrada e destruída pela população húngara na mal-sucedida tentativa de levante contra a ocupação soviética no ano de 1956. As botas, únicas remanescentes da estátua infame, permanecem como símbolo da recusa dos húngaros à ocupação comunista soviética em seu território. |
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| Foto da estátua de Stalin, palco para comemorações e desfiles na Hungria ocupada. |
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| O carro do povo, sob a cortina de ferro: o Trabant, com carroceria de plástico, semelhante a fibra de vidro, atingia 100 km por hora. Não deixou saudade em ninguém. |
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| Excelente cartaz à venda no Szoborpark: Os três Terrores - Stalin, Mao e Lênin. |
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Link útil:
Hungria Bonita - Parque das Estátuas Szoborpark – Memento Park
Júlio e Izaura, Dezembro de 2010
2 comentários:
Caraca! Vou a Budapest mas não me interessa ir ao parque. Que o quê! O comunismo não quis apequenar o povo coisa nenhuma. Vc ta querendo dar uma conotação diferente da que eles deram. Contudo, em termos de arte os comunistas não tinham mto bom gosto. São hororrosas e quem fala é uma Artista plástica. Marx e Lenin dois gdes heróis tentaram dar dignidade a um povo até hoje sofrido. Não diminua o humanismo de um Lenin que se fez através da dignidade humana. As estátuas que não foram feitas por eles é que são gdes porém feias.
Se você vai a Budapeste, não deixe de visitar o Szoborpark.
Não achei esteticamente horrorosas as estátuas, mas considero horrorosa a propaganda ostensiva soviética da qual elas faziam parte. A lavagem cerebral não funcionou com a população húngara: já em 1956, a população rebelou-se contra o regime comunista soviético, movimento celebrizado pela derrubada da estátua de stalin, da qual só restaram as botas. Infelizmente,aquele movimento foi esmagado pelos tanques soviéticos após algumas semanas.
Veja bem: não dissemos que o comunismo quis apequenar "o povo", mas sim apequenar "o indivíduo", cerceando liberdades fundamentais individuais (como o direito de ir e vir e da livre-iniciativa), como ainda hoje se vê na lastimável Cuba (que visitamos duas vezes e só percebemos piorar) e Coréia do Norte. Na China de hoje, se restou algum traço de comunismo, ele se materializa apenas na perpetuação dos dirigentes estatais.
Se havia alguma boa intenção teórica nas idéias de Marx e nos atos de Lênin, ela não chegou aos países ocupados à força após a II Grande Guerra, como a Hungria e a Tchecoslováquia (hoje República Tcheca).
Outro exemplo visível do insucesso do bloco comunista foi o atraso de Berlim Oriental em comparação com a parte capitalista, separada pelo muro da vergonha.
Mas não deixe de conhecer o Szoborpark. A população húngara quase não vai lá. Fica na periferia de Budapeste. Não dispense o táxi, pois não há mais o ônibus turístico até o centro.
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